O frio exige aconchego, mas isso não deve inibir que, mesmo que se tenha de andar na rua, seja colocada em causa a elegância e feminilidade.
Assim, para dias como o de hoje, enevoados e algo húmidos e traiçoeiros, sugiro que uses um vestido de malha fina, cor de cinho, a abraçar-te sem exibir, quente como um segredo bem guardado, com aquela simplicidade traiçoeira que parece calma por fora, mas vibra por dentro.
A malha tem aquele caimento suave que dança com o movimento, sem pressa. Por cima, aposta num casaco de fazenda azul-marinho fechado até onde te apetecer, rígido e elegante como uma linha escrita a régua. O contraste de cores dá-te uma aura de noite antecipada, discreta, mas cheia de presença.
Por baixo usa uma lingerie minimalista e confortável, sem dramatismos: um conjunto simples em tom nude ou borgonha, sem rendas exuberantes, só linhas lisas e limpas. Aquelas peças que quase esqueces que tens, e é assim que devem ser, cumplicidade silenciosa, nada mais.
Como acessórios, aposta nuns brincos pequenos em prata, só para captarem a luz de vez em quando. Uma malinha estruturada preta, discreta, quase severa, para equilibrar o lado mais macio do vestido. Umas meias opacas pretas, a trazer coesão e calor. Botins de salto médio; nada que grite, mas o suficiente para o teu andar ter aquele leve compasso de poesia urbana.
Ficas com um conjunto que respira inverno, mistério e intenção. Tudo está ali… mas só para quem souber olhar.
Adoro quando o verão se insinua assim... num vai e vem algo inconstante e quase tardio, quando ele provoca e atiça num novo espreitar. Quando já parecia que a eternidade nos separaria, eis que ele me proporciona um novo usufruto. Oxalá não seja o último...
Gosto destes dias de Inverno onde o tempo não obedece rigorosamente ao calendário e também há luz e cor. São dias que me ajudam a preencher a alma, dias em que a brisa menos suave e mais agreste não é mais forte do que a minha vontade de calcorrear as pedras da calçada da cidade onde moro e de rodopiar sobre mim própria ou sobre todos aqueles que me mostram sorrisos quase tão belos como o céu matinal pintado pelo solstício que se aproxima.
Nestes dias em que o frio não é muito frio, adoro testar a paciência do inverno e provar que nem ele consegue entorpecer as minhas mãos quando as coloco em pala e prescruto o horizonte até onde a minha vista alcança, em busca daqueles meus sonhos que são cada vez mais inadiáveis, mas que as circunstâncias do dia a dia me têm arranjado sempre uma desculpa para os deixar guardados de lado e mortiços.
Quem tem brio não tem frio, já dizia a minha avó, descrita por algumas conterrâneas e contemporâneas como a menina mais fina, delicada e vaidosa da rua onde viveu mais de meio século. E em dias iguais aos de hoje lembro-me sempre dela e das palavras sábias dessas senhoras que insistem em encontrar em mim parecenças com ela, porque, de manhã, ao remexer no meu closet, procuro sempre a melhor forma de a homenagear.
Uma das minhas tendências atuais de eleição são as saias de couro ou de pele. Curtas, compridas, pelo joelho, plissadas, justas, efeito evasé, fluídas, pretas, coloridas, estampadas ou lisas, de certo modo vale tudo e eu gosto de (quase) tudo. Praticamente todas as grandes marcas têm lindíssimas propostas de modelos, assim como as mais acessíveis, que encontramos em qualquer centro comercial em que gostamos de desfilar esporadicamente (muitas vezes).
Estas saias acabam por ser bastante versáteis já que além de se adaptarem facilmente a qualquer ocasião, mais formal ou descontraída, também são fáceis de combinar com outras peças, feitas dos mais diversos tecidos, quer sejam tops, camisolas ou blusas, mas também com o mais variado tipo de calçado, desde o belo do salto alto, até à sapatilha mais confortável. Que achas desta tendência... és fã?
Numa época em que muitas das tendências de moda que prometem fazer sucesso neste outono e inverno já apareceram em coleções anteriores, inclusive em catálogos e passerelles de primavera e verão e numa altura em que a fronteira entre as várias estações do ano é cada vez menos estanque, algo que eu não associo à questão das alterações climáticas mas antes à cada vez maior emancipação do nosso sexo que, como seria de esperar, aumentou a temperatura global do planeta em que vivemos, uma das minhas tendências preferidas são as blusas de cetim ou de seda, mas também com tule e organza e outros tecidos delicados. São blusas e camisas cortadas em formas soltas com decotes suaves e sobreposição de diferentes tecidos e com uma aposta clara nas mangas volumosas.
Esta tendência vai de encontro aquilo que é a generalidade nos dias de hoje, mais concretamente o revivalismo de uma certa extravagância que marcou a nossa adolescência e juventude nos anos gloriosos anos oitenta e noventa. Eis algumas sugestões... Gostas desta tendência?
Confesso... Estou irremediavelmente apaixonada pela nova coleção de vestidos da tiffosi. Tenho de encontrar uma vacina qualquer que me livre deste mal, que será certamente contagioso, tendo em conta os trapinhos que esta marca tricotou para a nova estação que se aproxima. Então estes dois... mon dieu... que dilema!