Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

My Guilty Pleasure

My Guilty Pleasure

Another Day At The Office

A azáfama dos dias é para ser vivida sem que os contratempos, as desilusões, as responsabilidades, os dramas profissionais, a angústia das decisões difíceis e o prazer dos projetos concretizados se sobreponham a um bem que deve ser sempre maior do que tudo isso... A preservação da tua auto estima interior e exterior e a certeza de que, mesmo sozinha, és capaz de enfrentar o mundo inteiro, mesmo naqueles dias em que ninguém parece querer apostar em ti!

mp6.jpg

 

Travelling mind

Tempos de intempérie são também tempos de esperança e de renovação, principalmente numa época em que se recorda um bem tão precioso como é o da liberdade. De facto, quando imagino como seria viver há meio século atrás neste pequeno jardim à beira mar plantado e constato a realidade atual, mesmo tendo em conta o contexto pandémico conhecido, é incomensurável a distância entre aquilo que estava vedado e a imensidão de possibilidades que anseiam ser descobertas pela nossa imaginação, mais ou menos fértil.

Festejando esta liberdade conquistada, sinto que algo como Marraquexe aguarda por mim um dia e acredito que ansiosamente, do lado de lá do estreito onde desagua um mar quase lago e que há muitos séculos viu despontar, muitas vezes com sangue e morte, uma aurea de classicismo civilizacional que tanto me agrada e que deixou definitivamente para trás da etapa inicial da história da existência humana uma primitiva e irracional barbárie, poderei viver uma das etapas mais bonitas da minha existência.

dual 3.jpg

 

Blue Navy.

Eram dez e meia da manhã... A primavera daquele ano particularmente nefasto para quem tinha elevadas pretensões a sorrisos fartos e poses altivas, dava os primeiros passos no calendário, um pouco mais escorreitos no papel, do que propriamente na demonstração real e metereológica de algumas das suas melhores caraterísticas. Na passadeira asfaltada por cima de um empedrado inimaginavelmente perigoso para os meus botins, coberta por uma lingerie azul marinho push-up, com detalhes em renda e uma bolinha pequenina a imitar uma pérola no meio, umas meias ligas ligeiramente opacas, um vestido azul marinho, justo, mas ligeiramente evasé da cintura pra baixo, um pouco cima do joelho, com gola subida mas decote em bico mais ou menos pronunciado, uns botins pretos de salto com uns apliques metálicos atrás e um casaco de fazenda tipo marinheiro, olhava em frente, distraída do compromisso que me aguardava e dos sorrisos, ora inocentes ora indecentes, de quem comigo se cruzava, absorvida por aquele dilema que estava prestes a ser desvendado, logo ali, à entrada do café, duzentos metros à direita, passeio acima.

Confesso, já só tenho apenas uma vaga noção, quer do conteúdo desse dilema, quer do modo como ele se resolveu. Agora, aquilo que nunca mais esqueci desse instante e ainda hoje guardo com particular tremor bem no âmago do meu peito, é um maravilhoso par de olhos castanhos, que deslizou por mim abaixo, lentamente e com uma segurança, um vigor, uma confiança e uma firmeza tais, que me deixaram completamente desarmada e despida, como poucas vezes me senti nesta vida.

Nunca mais tinha passado por aquele local... até hoje. Soube que ia fazê-lo há quatro semanas atrás e, desde então, um estranho formigueiro foi-se instalando lentamente no meu corpo, de mãos dadas com aquela deliciosa ansiedade que exigia ao calendário que avançasse com o maior frenesim possível até hoje. Por isso a memória e o texto. Apesar de ter tentado replicar ao máximo aquele dia, quer no horário, quer no próprio outfit, porque sabia de antemão, como já referi, que hoje voltaria aquele local e tinha a secreta esperança de ser reconhecida, obviamente aquele par de olhos castanhos único não estava lá novamente, seguro, vigoroso, confiante e firme, à minha espera... Espero que não tenha sido por meros segundos apenas. Mas confesso, essa memória ficou gravada de modo tão profuso e indelével, que foi como se ele lá estivesse. Se estremeci e parei um pouco para saborear um pouco melhor aquele momento de pura nostalgia? Claro que sim... Quem não o faria?

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

  • coffee...

    19 Outubro, 2021

     

  • Late Summer...

    07 Outubro, 2021

    Adoro quando o verão se insinua assim... num vai e vem algo inconstante e quase tardio, (...)

  • mondays

    04 Outubro, 2021

    I usually hate them... And you?

  • Sair da caixa...

    21 Setembro, 2021

    Hoje resolvi sair da minha caixa, da zona de conforto... What About?  

  • Another Day At The Office

    07 Junho, 2021

    A azáfama dos dias é para ser vivida sem que os contratempos, as desilusões, as (...)

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub