O frio exige aconchego, mas isso não deve inibir que, mesmo que se tenha de andar na rua, seja colocada em causa a elegância e feminilidade.
Assim, para dias como o de hoje, enevoados e algo húmidos e traiçoeiros, sugiro que uses um vestido de malha fina, cor de cinho, a abraçar-te sem exibir, quente como um segredo bem guardado, com aquela simplicidade traiçoeira que parece calma por fora, mas vibra por dentro.
A malha tem aquele caimento suave que dança com o movimento, sem pressa. Por cima, aposta num casaco de fazenda azul-marinho fechado até onde te apetecer, rígido e elegante como uma linha escrita a régua. O contraste de cores dá-te uma aura de noite antecipada, discreta, mas cheia de presença.
Por baixo usa uma lingerie minimalista e confortável, sem dramatismos: um conjunto simples em tom nude ou borgonha, sem rendas exuberantes, só linhas lisas e limpas. Aquelas peças que quase esqueces que tens, e é assim que devem ser, cumplicidade silenciosa, nada mais.
Como acessórios, aposta nuns brincos pequenos em prata, só para captarem a luz de vez em quando. Uma malinha estruturada preta, discreta, quase severa, para equilibrar o lado mais macio do vestido. Umas meias opacas pretas, a trazer coesão e calor. Botins de salto médio; nada que grite, mas o suficiente para o teu andar ter aquele leve compasso de poesia urbana.
Ficas com um conjunto que respira inverno, mistério e intenção. Tudo está ali… mas só para quem souber olhar.
Hoje a minha melhor amiga faz novamente anos... É curioso porque nela, o tempo parece andar sempre para trás. Se a conhecessem, saberiam que não estou a exagerar.
Ainda há pouco a vi naquele vestido rosa que tanta azia me faz por não estar pendurado no meu closet. Seja como for, a distância que nos separa dilui-se na sinceridade dos desejos de que este dia seja para ela tão especial, como é para mim.
Com o aniversário dela, veio também a primavera. Como não podia deixar de ser...
No último fim-de-semana tivemos a oportunidade de assistir a um evento no nosso país, apenas comparável à passagem pelo nosso planeta de um daqueles cometas com nomes de código com números e letras que dão um jeitaço a quem tem pouca imaginação a escolher passwords e que, de tempos a tempos, tornam-se protagonistas de abertura de telejornais e deixam a malta da astronomia, e não só, com calafrios no peito e cócegas em locais que agora não importa certamente especificar e, muito menos, tentar adivinhar.
Já agora, e fazendo um parentêsis, sempre achei o pessoal da astronomia e do espaço um bocado estranho, confesso. Principalmente desde que namorei com um fulano que era estudante de um curso da área e que, nos seus momentos de gabarolice extrema, que um belo par de olhos castanhos ampliava e quase que conseguia convencer, tinha a mania de se gabar que, só com um dedo, era capaz de me levar a galáxias distantes. Uma ou outra vez confesso que lá fiz de conta que ele estava a ser bem sucedido na sua espinhosa tarefa, mas a verdade é que tudo não passou de uma barrigada de publicidade enganosa. Como os cometas, se calhar... Dizem que têm tesouros escondidos, que está neles a salvação energética do futuro do nosso planeta, mas se calhar não passam de bolas incandescentes de poeira cósmica inconsequente.
Adiante... Voltando ao que interessa, infelizmente não fui convidada para o cagamento real, mas em sonhos estive lá, bem presente e até fui protagonista, como seria de esperar, ou não estivesse num sonho, da animação pós jantar. Nesse sonho bastante estranho, diga-se, vestia algo parecido com isto... E tu, se tivesses sido convidada, que look usarias?
Parece que a natureza está, por estes dias, fortemente determinada em levantar o meu astral, mesmo que os motivos para que isso suceda continuem a não abundar. Mas como é sexta-feira e um fim-de-semana relaxado e descontraído está mesmo à porta, hoje resolvi fazer um esforço e deixei-me levar por este sol maravilhoso e cintilante que brilha em todo o seu esplendor e não quer deixar esmorecer os meus desejos, mesmo que a vontade de os vivenciar não abunde.
Às vezes, no silencioso sufoco da conturbada e estranha contemporaneidade que nos tem vindo a oferecer ultimamente, dia após dia, insaciavelmente, um lamentável espetáculo de selvajaria, destruição, egoísmo e caos, torna-se imperioso enveredar por uma espécie de fuga para a frente, no momento de sair à rua e decidir qual a melhor máscara que nos poderá ajudar a disfarçar as mágoas que nos atormentam e pelas quais não conseguimos sentir qualquer desdém. Hoje foi isso e isto que me inspirou quando abri, de par em par, o meu cada vez mais antiquado closet...