Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

My Guilty Pleasure

My Guilty Pleasure

Trespassa e dói...

Nem todos os dias são iguais, felizmente, e o que os distingue, tantas vezes, é o diferente grau e amplitude de emoções que eles nos provocam. E essa sensação aumenta exponencialmente quando pensamos nos nossos maiores desejos e sentimos o nosso coração apertadinho perante a evidência factual e inverossímil da incapacidade de colocar alguns deles em prática.

Tenho um desejo secreto, desde sempre, e hoje é um daqueles dias em que a dor que me provoca a certeza da sua impossível concretização me trespassa e me fere até ao recanto mais profundo do meu âmago...

 

O busílis...

Às vezes entristece-me o facto de serem poucos aqueles que entendem a necessidade que tenho de, regularmente, abandonar este casulo que por vezes me sufoca, para poder ser, mesmo que esporadicamente, uma encarnação mais assertiva e concreta do meu próprio eu. No entanto, admito que não me posso queixar em demasia porque tenho a sorte de poder partilhar todos os meus anseios sem ser recriminada e, também por isso, valorizo imenso quem sabe bem daquilo que falo e conforta-me ter a noção de estar em tão boas mãos tal conhecimento.

É intrigante tentar compreender porque razão a natureza nos oferece tantas vezes uma máscara que depois confirma-se não servir, sem que pudessemos trocá-la entre nós, nem que fosse só por breves instantes, qual cromos de uma caderneta bastante requisitada, para podermos também experimentar aquela máscara, o outro lado e, consequentemente, aquele fato que realmente nos serve e melhor se ajusta aquilo que fervilha bem no fundo do nosso âmago. E depois, quando se vê uma luz ao fundo do túnel, um simples ponto cintilante cuja perceção é mais do que suficiente para, de algum modo, colmatar com elevada eficácia estas nossas lacunas, acaba por ser difícil lidar com a pouca disponibilidade que a situação suscita, havendo dias em que tal carência se torna de certo modo insuportável, confesso... Seja como for, não deixa de ser reconfortante tal partilha.

spring 22.jpg

Vício matinal.

Tenho uma enorme dificuldade em encontrar uma melhor forma de começar um longo dia de aborrecidas e intensas reuniões de trabalho sem ser com um chá relaxante e purificador, de preferência de cidreira ou camomila, os dois extratos no meu topo de preferências. Acreditem que só depois fico verdadeiramente pronta para todos os desafios que me esperam. E tu? Tens um vício matinal que te ajude a ligares o teu interruptor interior ou não precisas?!

 

Gosto de saias.

Gosto de saias, confesso. Talvez até goste ainda mais de vestidos do que de saias, mas se me puser agora aqui a falar de vestidos, enfim... isso já seria abusar demasiado da vossa paciência e expôr-me ao ridículo de dissertar sobre uma dimensão estratosférica das coisas de que materialmente mais gosto. Falar de vestidos até se torna, às vezes, na proporção exata, algo obsessivo, confesso. Entusiasma-me de tal modo que pode, nos momentos de maior furor, fazer-me perder um pouco a razão e a noção do razoável. Mas voltando às saias, digo e repito: Gosto de saias. E gosto tanto que não percebo como há mulheres que não gostam... E não me venham com a desculpa da anca demasiado larga, ou do glúteo mal definido, da coxa bastante grossa ou da perna curta com que a mãe natureza presenteou. Nesta vida, só não há remédio para aquilo que nós sabemos...

Ao contrário do que acontece com a esmagadora maioria das mulheres, eu tenho uma dificuldade enorme de, no dia-a-dia, vestir um par de calças. E até gosto muito de jeans, por exemplo, e às vezes apetecia-me usá-los mais, principalmente os dois pares push-up que estão pendurados no meu closet, admito. E esse é um dos meus maiores pontos fracos, no que à minha apresentação diz respeito, também por causa da profissão que me obriga a algum rigor na escolha diária do meu look. Mas há outro aspeto da minha existência que justifica este gosto.

Gosto de saias, confesso. E nesse tal aspeto há dois factores que influenciam decisivamente esta constatação, óbvia para aqueles que melhor me conhecem, porque já sabem muito bem o que a casa gasta. Refiro-me, por um lado, à educação algo puritana que recebi, de uma mãe ainda mais feminina que eu, que me mostrou duas realidades distintas. De uma delas eu fugi a sete pés e procuro fazer sempre o oposto, até porque sei que se ela fosse tão livre no seu tempo como eu sou no meu, seria como eu. Refiro-me a um exacerbado conservadorismo e uma rigidez de regras e comportamentos familiares e sociais que defendiam, por exemplo, que uma senhora não pode, em circunstância alguma, distanciar-se daquilo que seriam, na gíria comum, as atitudes certas de uma mulher. A outra coisa que aprendi com a minha mãe, e essa eu procuro imitar ao máximo, quer na filosofia quer no modus operandi, foi a noção de feminilidade, geralmente levada por ela quase até ao extremo. E acaba por ser neste traço do caráter dela de que eu me apropriei com um certo deleite e com unhas e dentes, que entra este meu gosto por saias.

Hoje escolhi esta... Chegou a ser dela, da minha mãe. Foi restaurada depois de ter sido descoberta num baú da garagem juntamente com outras preciosidades e tecidos que ainda aguardam destino... E restaurei-a cuidadosamente e com amor, de certeza com o mesmo amor com que um rapaz se responsabiliza por aquele carro ou aquela motorizada antiga que foi do pai e que ele também quer um dia conduzir para o homenagear e porque ele era para si um modelo. As saias e os vestidos são os veículos que eu tenho para conduzir que a minha mãe me deixou... E sou feliz por poder dar vida a alguns!

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

  • Selvagem Contemporaneidade.

    25 Maio, 2022

    Às vezes, no silencioso sufoco da conturbada e estranha contemporaneidade que nos tem vindo a (...)

  • Quem tem brio não tem frio.

    08 Fevereiro, 2018

    Gosto destes dias de Inverno onde o tempo não obedece rigorosamente ao calendário e também (...)

  • Adoro os anos vinte.

    29 Setembro, 2017

    Adoro os anos vinte! Foi uma época onde reinou a loucura de viver, uma década de (...)

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub